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Saúde
07/02/2012 - 07:20h
Médicos entram em greve e situação é caótica
decisão pelo movimento considerada a mais extrema na relação trabalhista foi tomada no último dia 3.
Fonte: Gabriela Sant'Ana

Os médicos da rede pública de saúde de Várzea Grande estão em greve. A paralisação da categoria toma conta do Pronto-Socorro do município, onde se cumpre a lei de greve com 30% de profissionais atuantes e 100% nas unidades básicas de saúde da segunda maior cidade de Mato Grosso. O PS atende a partir desta segunda-feira (6) apenas casos de urgência e emergência e os demais são automaticamente transferidos para Cuiabá.

A decisão pelo movimento considerada a mais extrema na relação trabalhista foi tomada no último dia 3 e oficialmente comunicado ao prefeito de Várzea Grande, Sebastião Gonçalves- o Tião da Zaeli, que deveria efetuar o pagamento das três Verbas Indenizatórias (VI) em atraso desde o ano passado e ainda o salário juntamente com a VI do mês de janeiro, para que não houvesse a paralisação.

Prometido para a última sexta-feira (3), o pagamento de uma verba indenizatória não foi cumprido pelo secretário Municipal de Saúde, Marcos José da Silva. Em janeiro, a prefeitura pagou apenas duas VIs em atraso, o que não foi suficiente para convencer a categoria pela decisão de greve.

Pressionado pelos médicos, Tião justifica a falta de pagamento pelo atraso do repasse do Governo Estadual, que corresponde a R$ 1,2 milhão mensal e que não ocorre desde dezembro. 

Atualmente os médicos recebem R$ 1,9 mil de salário somados a R$ 2,850 mil da verba indenizatória, que corresponde a 60% do pagamento e que não será mais paga a partir deste mês, já que o Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) foi aprovado pela Câmara de Vereadores. 

Precariedade

De acordo com o médico Klewer Antônio da Silva, a categoria aguardou até a semana passada pelas regularizações que não foram cumpridas e agora deflagrada a greve não bastará apenas o pagamentos dos direitos em atraso, mas o Executivo municipal terá que oferecer também melhores condições de trabalho.

“Estamos dentro da lei e reivindicamos agora melhores condições de trabalho, melhores pagamentos, aumento do repasse do governo e aumento de unidades de saúde, já que as existentes hoje não conseguem atender a população e sobrecarregam o Pronto-Socorro. Não temos condições de trabalho em Várzea Grande e vivemos com a falta de segurança, pois somos ameaçados pelos pacientes que não entendem que não temos condições de atender. Decidimos pela greve, pois esta é a maneira de dizer que não somos nós os culpados pela situação da saúde que vivemos e sim o governo e a prefeitura”, desabafou o médico ao Mato Grosso Notícias. 

A reclamação do profissional é facilmente constatada e foi confirmada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) que encaminhou recentemente ao Ministério Público Estadual e aos secretários de saúde municipal e estadual, respectivamente, Marcos José e Vander Fernandes, um relatório que constata a precariedade com que se presta o serviço de saúde no município.

Sem atendimento básico

Sobre o atendimento básico oferecido por cinco policlínicas e três Programa de Saúde da Família (PSF) em toda a cidade, exige-se maior número destas unidades para subtrair os pacientes que são atendidos na unidade de urgência e emergência, enquanto poderiam ser encaminhados para as policlínicas, que deveriam ser equipadas para atendimentos não emergenciais. 

Diferente de Cuiabá, que oferece o atendimento 24 horas, outra reivindicação dos médicos é para que as unidades em Várzea Grande funcionem igualmente a Capital e não somente até às 22h como ocorre atualmente.

Com a paralisação dos concursados e o considerável numero de demissões por parte dos contratados, a sobrecarga pelo atendimento de cirurgias, urgência e emergência fica novamente com o Pronto-Socorro de Cuiabá, bem como com as policlínicas que deverão ter sua demanda elevada.

Decididos

Ao todo Várzea Grande conta com 350 médicos que atendem no Pronto-Socorro do município, nas Policlínicas e nos Programas de Saúde da Família (PSF). Deste total, 60% correspondem a profissionais contratados e os outros 40% é composto por médicos efetivos.

A insatisfação dos profissionais de saúde várzea-grandenses se arrasta desde julho do ano passado quando começaram os atrasos não só das verbas indenizatórias, mas também dos salários, que são pagos alternadamente.

Desde então, as ameaças de greve se tornaram constantes e resultaram na decisão tomada durante a última assembleia, onde os médicos decidiram, categoricamente, pelo movimento grevista. 

COMUNICADO

População Várzea-grandense

Os médicos que atendem na rede municipal de saúde em Várzea Grande, entraram em greve a partir do dia 06/02/2012

Motivos

Há mais de dois anos os médicos lutam diariamente por melhorias das condições de trabalho e por melhores salários. 
As unidades de saúde publica apresentam graves problemas de estrutura física, além disso faltam materiais básicos, medicamentos, leitos, equipamentos, que são necessários par ao bom atendimento da população. O governador atrasa frequentemente os repasses de verbas.

Toda esta situação expõe a população a riscos de falta de atendimento e por isso queremos expor os motivos que nos levaram a tomar tão difícil decisão. 

Como se não bastassem as péssimas condições de trabalho causadas pelo descaso da prefeitura municipal. Os médicos que atendem na rede de saúde de Várzea Grande , nas unidades básicas e no Pronto-Socorro estão sem receber há cinco meses sem receber 60% de seus salários.

Essa realidade tem comprometido o atendimento a população, pois não é possível trabalhar sem receber, e ainda em condições de trabalho insalubres!

Os médicos assim como os demais trabalhadores, precisam de salários em dia para comer, pagar contas. Somos pais e mães de famílias, exigimos respeito!

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), entidade que representa os médicos em movimento, está articulando com a Defensoria Pública do Estado e demais órgãos competentes, formas de garantir o atendimento a população, pois o direito de greve dos médicos e o direito a saúde da população devem ser respeitados!

Contamos com a solidariedade da população e que se sensibilizem e que pressionem os reais responsáveis pelo caos gerado na saúde pelo prefeito e governador do Estado.

Exigimos respeito com os médicos e com a população várzea-grandense!. 

 


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