07
Outubr

às 07:00
VEREADORES DE CABRESTO?
 Publicado por Ovídio Araldi

Dia desses o caipira lá do interior veio à cidade e com ele trouxe a mulher e seus sete filhos menores de idade a fim de passarem no posto de saúde, fazer alguns exames e descobrir a razão pela qual todos viviam com dor de barriga e magros feitos uma estaca apesar de se alimentarem bastante. Nos filhos o problema era pior: estavam virados em barriga e olheiras com os olhos meio esbugalhados.

        Aqui chegando foram parar na casa do meio aparentado por parte de pai, seu Honorato. Ninguém dali sabia da visita, total surpresa. O caipira à frente foi batendo palmas e não demorou o anfitrião apareceu. Foi àquela festança, afinal, já havia anos não mais tinham noticias uns dos outros.

        Depois dos cumprimentos e abraços e dito o motivo da vinda da família toda à cidade, meio que querendo agradar ao caipira, o anfitrião lhe disse que aproveitariam a sua vinda para no dia seguinte irem juntos a um evento importante, a inauguração da nova sede da Câmara de Vereadores.

Dito e feito, o caipira e seu anfitrião foram os primeiros a adentrarem ao auditório da nova casa legislativa. Enquanto aguardava o início da cerimônia o visitante aproveitou para matar sua curiosidade:

-Honorato, para que é que serve mesmo essa tal de Câmara de Vereadores?

O Honorato coçou a nuca como quem é pego desprevenido, mas lembrou que não podia mostrar ignorância no assunto. Afinal, é homem da cidade.

         - a Câmara Municipal é onde os vereadores fazem propostas, discutem, aprovam ou reprovam os projetos para a cidade, portanto eles são os legisladores municipais. São eles quem faz as leis da cidade.

        -E na prática isso acontece?

        - Não. Na prática a Câmara de Vereadores funciona conforme os interesses do Prefeito. É um verdadeiro “sim senhor”, “deixa comigo”. “como é que o senhor quer que faça?” Aprovam tudo e do jeito que o chefe quer sem ao menos colocar a matéria à apreciação dos seus pares. É como se fosse proibido dizer não aos interesses, nem sempre os melhores, encaminhados pelo executivo.

 -E por que os Vereadores agem assim?

-É claro que existem vereadores sérios, competentes, vereadores preocupados com o exercício do mandato à altura das expectativas do eleitor, mas um terço se tanto. O resto não conhece bússola que não seja essa forma política de atuar. E “via de regra” esse trem passa pelo gabinete do prefeito. É tudo uma questão de troca de interesses entre eles.

          -E o salário dos Vereadores?

-O salário é bom, uns extras por fora, nenhuma preocupação em dar satisfações a quem quer que seja com raras exceções.

 - Mas então me explica: o que é que os Vereadores fazem mesmo?

-Tirando alguns, o resto atende cabos eleitorais e fazem “negócios” que possam redundar em vantagens políticas e pessoais.

 - E por que então em vez de Câmara de Vereadores com toda essa gastança de dinheiro do povo, vocês não criam conselhos comunitários formados por pessoas que moram e conhecem as necessidades do seu bairro ou da sua localidade?

 - A Constituição de 1988 criou e tornou obrigatória a instituição de conselhos específicos, como saúde, educação, moradia, mas faltou peito ao constituinte (que depende dos vereadores como cabos eleitorais) para acabar com a Câmara de Vereadores e substituí-la por uma representação popular legítima, como os conselhos por exemplo.

 - E por que esses caras, vereadores, são chamados de excelência?

-É porque são autoridades. Eles representam o povo.

 Daí o caipira não se agüentou. Botou a mão debaixo do banco, pegou o chapéu e saiu porta a fora falando sozinho, sei lá o que.

Quando o anfitrião o alcançou já estavam chegando a casa, foi quando o caipira olhou para trás e lascou: “você faz favor de não me falar mais nada dessa tal de Câmara de Vereadores”.

 

Ovídio Araldi

06
Outubr

às 07:00
QUEM TRAI MAIS: O HOMEM OU A MULHER?
 Publicado por Ovídio Araldi

Esse tema não me deixa a vontade para escrever e dar opinião. Por quê? Simples: Acho que não existe uma estatística séria sobre o assunto. Ou vocês acreditam que todas as pessoas que traem contam a verdade? E outra: O que é considerado traição entre o homem e a mulher? Será que ela ocorre apenas quando rola a transa sexual ou também já nas paqueras, nas tentativas, nas mensagens, nos discretos olhares, nos presentinhos e tudo o mais que homens e mulheres fazem um ao outro com o objetivo de agradar e se agradar seguir em frente?

É fato que antigamente as mulheres eram 'submissas', por isso os homens traíam mais. Mas hoje em dia, com tantas conquistas e a sonhada independência, votaria num empate.

O Instituo de Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo acabou de divulgar um importante estudo feito entre duzentos homens e mulheres sobre esse assunto: os homens ainda estariam traindo mais que as mulheres, porém, com mínima margem de vantagem, podendo ser considerado empatado.

 

        Confiram alguns depoimentos:

"Não existe regra para trair, tudo depende da situação e do grau de insatisfação de cada parceiro. Eu, por exemplo, pulei a cerca várias vezes na adolescência. Primo pela qualidade e não pela quantidade." FELIPE ASSIS.

"A mulher só trai se estiver insatisfeita com o parceiro. Já o homem, mesmo satisfeito, não pode ver um rabo de saia que já começa a investir... Pobre de nós, cheias de ilusão sonhando com o príncipe encantado." ALINE SOARES.

"A mulher trai muito mais. Elas são mais espertas, não deixam rastros. Tem sempre uma amiga ajudando a pular a cerca. Já nós, chamado sexo forte, sempre deixamos uma pista da traição." FELIPE ANUNCIAÇÃO.

"O homem trai mais. Mas as mulheres contribuem para que isso aconteça: andam quase sem roupa por aí. Eu sou muito ciumenta e se pudesse vendaria os olhos do meu noivo..." LUCY COUTINHO,

          "Acho muito relativo. Vai de a pessoa ser sem-vergonha mesmo. Quem ama de verdade e valoriza o interior do companheiro respeita cada segundo que passam juntos. Quem vive aventurando só pensa no momento da traição e pronto." DUDU RANGEL.

         "Nós traímos mais pelo simples fato de que toda mulher é insegura, sempre quer tudo que a outra tem. É inevitável: quando estou sozinho por aí elas me ignoram. Já quando estou acompanhado..." BETO FRITS.

"Traição é uma falta de respeito e de amor próprio. Não perdoaria ser passada para trás de jeito nenhum, e nem teria coragem de enganar alguém. Embora a palavra 'traição' não faça parte do meu vocabulário, acho que os homens são mais fracos, por isso pulam a cerca”.ELISETE FRAGA.

"Não concordo quando dizem que a nossa carne é fraca. Embora sejamos o 'sexo forte', elas pulam a cerca direitinho e não deixam rastros..." CARLOS ALBERTO.

         "Com certeza os homens traem mais. Dizem que a carne é fraca, mas a verdade é que as mulheres, hoje em dia, colaboram... Elas apelam mais nas roupas e nas investidas. Outro detalhe: sempre que um homem está acompanhado a 'oferta' é maior... Elas se jogam! Que a minha namorada não leia isso." DANIEL MACÊDO.

        Aonde é que isso vai dar? Não parece que o errado é ser certo?

        Pensem nisso. Até a próxima.

 

        Ovídio Araldi

05
Outubr

às 07:00
QUEM SÃO OS SEUS VIZINHOS?
 Publicado por Ovídio Araldi

Isso; quem são os seus vizinhos da direita, da esquerda, da frente ou lá dos fundos? Você pelo menos sabe o nome deles? O que cada um deles faz? Eles têm filhos? Como andam de saúde? Vivem bem? Enfim, o que você sabe da sua vizinhança?

        É esquisito, mas o mais provável é que se não são seus parentes, alguém ligado à sua família, cada uma dessas perguntas fique sem resposta.

        E por que isso, qual o motivo que nos leva a vivemos tão isolados ao ponto de não sabermos se quer quem mora do outro lado do muro da nossa casa? 

       Antigamente, as amizades e os relacionamentos eram marcantes entre a vizinhança.  A maioria dos vizinhos se tornava compadres, se reuniam seguidamente, especialmente para as conversas de final de tarde e começo de noite. Trocavam visitas, almoços e jantares. Faziam confidências, levavam um papo ao pé do ouvido..., faziam trocas de favores. Era uma irmandade íntima, cordial e respeitosa. Todos se conheciam, se davam e se ajudavam.

      Hoje em dia existem vizinhos que moram anos, um ao lado do outro, e não sabem se eles têm dentes, porque o sorrido lhe é negado. E quando se sabe que às vezes basta um sorriso para contagiar o mundo.

      É verdade, vez e outra ocorriam alguns desentendimentos motivados por pequenas brigas entre os filhos ou porque o cachorro havia tentado abocanhar o gato de estimação, mas logo tudo voltava ao normal.

      As boas relações de vizinhança tinham uma importância tamanha ao ponto de até o padre entrar na roda para aparar as arestas se porventura qualquer desentendimento persistisse.

        Mas os tempos mudaram e a vida está cada vez mais competitiva, exigindo mais trabalho e talvez por isso as pessoas estejam cada vez mais ocupadas, forçando em conseqüência essa mudança de costumes. Já não há mais aquele espírito tão gostoso e carinhoso entre os vizinhos.

        O mundo atual está se dispersando, é cada um pra si, acabando até com a boa vizinhança, mas não deveria ser assim. O ser humano nasceu para viver em sociedade e por isso deveríamos nos unir mais, virar grandes amigos, ajudar uns aos outros, sermos vigilantes um do patrimônio e do bem estar do outro. Se nos juntarmos faremos tudo melhor.    

         Mas aqui entre nós, será tão difícil assim conseguir alguns minutos para ir até a porta do vizinho e cumprimentá-lo, convidá-lo a ir ate a nossa casa para tomar um cafezinho, um chimarrão, comer um biscoito ou levar uma conversa, se conhecer? O que é isso, vizinhança é sinônimo de respeito, gentileza, educação e solidariedade, ser amáveis entre si.

       Vamos nos unir e fazer uma vizinhança unida, pronta para se ajudar mutuamente. Se conseguirmos, com certeza viveremos melhores e nossos filhos e netos irão nos agradecer.

      Quem sabe, seu vizinho se torne seu melhor amigo.

        Pense nisso. Até a próxima.

        Ovídio Araldi

04
Outubr

às 07:00
Juizite - um desserviço à magistratura
 Publicado por Ovídio Araldi

O artigo "Juizite - um desserviço à magistratura" é de autoria do presidente da Seccional da OAB da Bahia, Saul Quadros, e foi publicado no jornal A Tarde, da Bahia.

        O texto é bastante curioso. Parece narrar algo que vem acontecendo em outros quadrantes brasileiros. Eis como o autor o coloca:

           "Irritação, nervosismo, rispidez, insegurança, arrogância, autoritarismo e prepotência são sintomas patológicos identificados em parte dos magistrados brasileiros.

       As conseqüências daquele estado irritadiço, arrogante e prepotente, que no "mundo jurídico" passou a ser chamado de "Juizite", se tem revelado através do desrespeito às partes, pressão psicológica sobre as testemunhas, perseguição a servidores, maus tratos a advogados e inobservância às suas prerrogativas, muito deles recusando-se ao simples registro, em ata de audiência, de um protesto por cerceamento de defesa.

       Da maneira como conduz o processo, ninguém pode "ousar" discordar, "esquecendo-se" do que aprendeu na academia, que a "liberdade de julgar não está acima da lei, nem da segurança do direito".

       Como seria bom se todos compreendessem e reconhecesse como reconheceu o Juiz Rafael Magalhães, mineiro, um dos mais eminentes do Brasil, quando, há mais de quarenta anos, proclamou que "o advogado precisa da mais ampla liberdade de expressão para bem desempenhar o seu mandato" e que "o Juiz deve ter a humildade necessária para ouvir com paciência as queixas, reclamações e réplicas que a parte oponha a seus despachos e sentenças", arrematando que "seria uma tirania exigir que o vencido se referisse com meiguice e doçura ao ato judiciário e à pessoa do julgador que lhe desconheceu o direito".

       Lamentavelmente nem mesmo o tempo tem-se encarregado do amadurecimento do portador da "Juizite" para inspirar-lhe confiança, sensatez, paciência e a cordial convivência com os advogados e as partes, dando-lhe a certeza de que é ele mesmo, nos limites fixados pela lei, quem, ao conduzir o processo, substitui a vontade das partes e decide como se fosse o próprio Estado.

       O Poder Judiciário, diferentemente dos dois outros poderes do Estado, na prestação de seus serviços, "é aquele que assegura direitos, aplaca dissídios, compõe interesses na diuturna aplicação da lei e de sua adaptação às mutáveis condições sociais, econômicas e políticas". Exatamente por isso, é o poder que reclama de seus membros "serenidade e bravura, paciência e desassombro, humildade e altivez, independência e compreensão".

      De igual modo o advogado, na luta pelos interesses do seu cliente, deve se portar "como um guerreiro sem bravata" e não é por isso, senão, que também deve manter a sua independência em qualquer circunstância, não devendo ter receio de desagradar a qualquer autoridade, nem de incorrer em impopularidade, no exercício da profissão.

       A "Juizite" tem-se revelado num desserviço à magistratura.

       O juiz vocacionado  esquece o relógio e o afã em terminar rapidamente as audiências. Ouve as partes e as testemunhas com paciência. Faz prova bem feita, dispondo de elementos para uma decisão segura, com menos riscos de injustiças, além de não cercear os sagrados direitos das partes e dos seus procuradores, ainda que a sua carga seja pesada e tenha centenas de processos a despachar.

       Na convivência diária com o juiz, o advogado deve conduzir-se profissionalmente nos limites da elegância, da cordialidade e da ética, mas não pode esperar tão somente pelo tempo, pela cura da "Juizite.

       É preciso que o advogado combata tal "enfermidade", sem receio de melindrar ou desagradar ao magistrado, desde que sua ação se enquadre nos limites estabelecidos pela lei estatutária, com altivez e serenidade, de modo firme e respeitoso. 

      A vocação do advogado é combater, é lutar, é opor-se, é apaixonar-se pela paixão alheia, é ter alma de guerreiro, ainda que às vezes não seja nem mesmo compreendido por aqueles que fazem justiça!

      Nossa ação deve se desenvolver no campo da utilização dos "remédios jurídicos" postos à nossa disposição: a representação correicional, a denúncia pública do seu comportamento atentatório à própria magistratura, o protesto por cerceamento de defesa, a interposição de recursos, o requerimento de mandados de segurança.

          Fonte: Conselho Federal  da OAB

 

            Ovídio Araldi

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